Estamos nos anos dourados?(Fabiano Possebon – contribuição)

ESTAMOS NOS ANOS DOURADOS?

 

Fabiano Possebon

 

 

“Existe uma idade de ouro da humanidade ou ela é só construção mental de quem vive insatisfeito em seu próprio tempo?”

 

Luiz Oricchio in Jornal “O Estado de São Paulo”, comentando o filme “Meia Noite em Paris”

 

“Se você teve sorte o bastante de ter vivido em Paris quando jovem, por onde for pelo resto de sua vida, a cidade fica com você, pois Paris é uma festa ambulante”

Ernest Hemingway

 

Neste artigo, pretendo falar um pouco sobre o longa-metragem mais novo de Woody Allen, o de número 41, que está fazendo muito sucesso, intitulado MEIA-NOITE EM PARIS.

Eis uma pequena sinopse – Gil Pender (Owen Wilson, de “Marley e Eu”) é um jovem roteirista de cinema norte-americano que se sente fracassado e sonha escrever seu primeiro romance, sonha ser um escritor consagrado . Vai à Paris com sua noiva Inez (Rachel McAdams), que não combina com ele em nada, pensam de modo muito diferente. Ele deseja morar em Paris, mas ela chega a dizer uma certa hora “Eu não viveria em outro lugar a não ser os Estados Unidos”. Gil é apaixonado pela Paris dos anos 1920.

A história se passa em 2010, e à meia-noite ele acaba voltando no tempo, na sua tão sonhada Paris dos anos 20. Lá encontra-se com o casal Zelda e Scott Fitzgerald (estão numa festa dada em homenagem ao escritor Jean Cocteau), Cole Porter está tocando “Let´s do it” no piano. Encontra também a dançarina Djuna Barnes, Ernest Hemingway, Picasso, Luis Buñuel, Gertrude Stein, Ray Man, Salvador Dalí – todos figuras que se tornaram ícones daquela geração, a chamada “geração perdida”, no dizer de Stein.

Gil acaba se apaixonando por Adriana (Marion Cotillard), que foi amante de três pintores famosos: Picasso, Modigliani e Braque. Então, ela era, o que poderíamos chamar de uma “Maria Aquarela”, ou “Maria Paleta”? Como preferirem.

Adriana, por sua vez, também gostaria de ter vivido em outra época, a chamada “Belle Époque” (início do século XX). Em certo momento do filme, para lá vão os dois. Acabam encontrando os pintores Toulouse-Lautrec, Degas e Gauguin. Este último, afirma uma certa hora que gostaria de ter vivido na Renascença, que essa sim havia sido a verdadeira Idade de Ouro.

No fim, Gil Penter volta ao presente, com o encorajamento literário de Gertrude Stein e a certeza de que o ontem, com seu irresistível charme, é só um concorrente desleal.

O amor, a vida, o tempo, a insatisfação do ser humano, a arte, tudo isso é discutido por Allen.

O filme quer mostrar que estamos sempre insatisfeitos, não importa em que época vivamos.

A verdade é que cada um tem um momento preferido do ontem. Não há outro jeito a não ser lidar com o presente e trazer do passado o que interessa para que sejamos felizes no hoje.

Gil acaba desistindo de se casar com Inez e encontra um novo amor – a francesa Gabrielle.  Gabrielle é, podemos dizer assim, uma porta para um mundo de possibilidades no presente, poderíamos dizer que ela é a porta da esperança para Gil.

O comecinho do filme é super interessante, pois passeamos pela cidade de Paris, ao som de um clarinetista. Surgem na tela uma sequência de imagens, verdadeiros cartões-postais, do nascer ao pôr do sol, Paris com sol ou com chuva. Vamos saboreando bonitos flashes de pontos turísticos da cidade.  Isto faz com que nós os espectadores nos apaixonemos pela Cidade Luz.

Mas, que bom se pudéssemos fazer mesmo uma viagem no tempo, na Paris dos anos 20, que foi a Idade de Ouro de Paris. Será que foi? Ela era, realmente, plena de escritores, artistas e personalidades que, poderíamos dizer assim, deram o pontapé inicial para muito do que hoje existe em termos de arte.

Woody Allen faz uma bonita homenagem à Paris e também ao cinema. Ah! O cinema e sua magia! Só ele mesmo permite um passe de mágica tão belo! De repente, sem pedir licença à lógica ou dar maiores explicações à plateia, uma historinha que parecia banal sobre um casal visitando Paris muda radicalmente do presente para o passado, a fim de que o protagonista possa mergulhar no mundo onírico, ir atrás de um sonho perdido em outra época, pórem cheia de glamour.

Uma pergunta que fica: Por que, às vezes, desistimos de um sonho? No filme, por exemplo, Gil tinha o sonho de ser um escritor, mas o troca por uma outra atividade mais remunerada – roteirista. Será que desistimos de um sonho para evitar a dor de um fracasso?

O jovem volta no tempo ideal (no que ele considera ideal) para beber na fonte dos artistas e dos escritores pelos quais nutria grande admiração. Descobre na viagem que uma personagem daquela época – Adriana, sua grande paixão, estava insatisfeita, admirava tempos de outrora. Então, o retorno ao passado pode ser uma porta ilusória? Ela apenas dá vazão a uma reprimida e doce nostalgia?

Será que, alguma vez, já traímos algum sonho que tenhamos desejado ardentemente? Este filme de Woody Allen faz reflexões nesse sentido.

Fico pensando cá com meus botões: Quem não gostaria de ser Gil Penter e conviver por algumas horas com tantos gênios das artes?!!

A música de Cole Porter – “Let´s do it” (ou “Let´s fall in love”) perpassa toda a película, a ouvimos toda hora. Vou colocar alguns trechinhos traduzidos

“Mas por que pássaros fazem?

Abelhas fazem? Até pulgas educadas fazem?

Vamos fazer, vamos nos apaixonar

(…)

Pessoas dizem que em Boston até os feijões fazem

Vamos fazer, vamos nos apaixonar

(…)

Centopeias sentimentais fazem

Enguias elétricas, devo acrescentar, fazem. Embora isto as choque, eu sei.

As mais refinadas joaninhas fazem…

Vamos fazer, vamos nos apaixonar”

 

Vou falar resumidamente sobre algumas personalidades que aparecem no filme

SCOTT FITZGERALD

 

Escritor ianque, nasceu em 1896 e morreu em 1940. É considerado um dos maiores escritores norte-americanos do século XX.

Nos anos 1920, muda-se com sua esposa Zelda para Paris, onde conclui seu mais célebre romance – O GRANDE GATSBY, que descreve a vida na alta sociedade, com uma aguda reflexão crítica.

Muito tempo depois, já com a saúde abalada pelo alcoolismo, Fitzgerald muda-se para Hollywood e acaba trabalhando como roteirista cinematográfico. Em 39, começa a escrever seu derradeiro romance, intitulado O ÚLTIMO MAGNATA, publicado postumamente em 41.

Outra obra famosa sua chama-se “SUAVE É A NOITE”. O filme “O Estranho Caso de Benjamin Button” (estrelado por Brad Pitty e Gwenet Paltrow) é baseado em um conto de Fitzgerald.

Hemingway sempre o criticava por só retratar a alta sociedade.

O casal Fitzgerald viveu sempre uma relação de muito amor, e ódio ainda mais, viviam entre tapas, beijos e bebedeiras. Zelda sempre com crises de ciúmes, dando escândalos.

Depois de um colapso nervoso, ela acabou enlouquecendo, esteve internada em vários manicômios. A Sra. Fitzgerald escreveu um livro só: “Esta Valsa é Minha”, considerado por alguns autobiográfico.

 

GERTRUD STEIN

 

A escritora Stein nasceu nos Estados Unidos em 1874 e faleceu em Paris em 1946.

Estudou Psicologia com William James e Henri Bergson. Viveu algum tempo na Áustria, depois mudou-se para Paris.

O salão de sua casa era o ponto de encontro de pintores e escritores de vanguarda, apenas para citar dois: Picasso e Matisse. Ela ajudava Hemingway na criação de seus manuscritos.

 

LUIS BUÑUEL

 

Nasceu na Espanha em 1900. Trabalhou com Dalí, de quem sofreu forte influência na sua obra surrealista. Chegou a fazer um filme junto com ele – “Um Cão Andaluz”. Depois se separaram porque Dali defendia a igreja e também o regime ditatorial, os quais Buñuel era radicalmente contra.

Dali passou a vida toda tentando fazer um outro filme junto com Luís Buñuel, mas este nunca mais topou.

Buñuel também se afastou de García Lorca, não tolerava a homossexualidade do amigo.

Quando adolescente, se tornou ateu e anticlerical, após ter estudado em um colégio jesuíta. No final da vida, esteve mais próximo da religião, fez bastante amizade com um padre.

Foi ele o fundador do primeiro cineclube espanhol, em 1920.

Em 25, foi viver em Paris, onde estudou cinema e trabalhou como assistente de vários diretores.

Morou algum tempo nos Estados Unidos e também no México.

Suas obsessões eram: amor louco, anticlericalismo e crítica à moral burguesa, conservadora e hipócrita, assim como as bases morais que a apoiam.

Para retratar isso se vale sempre da linguagem da fantasia.

Certa vez escreveu: “(…) Um filme é como uma simulação involuntária do sonho. A noite que lentamente invade a sala do cinema equivale ao ato de fechar os olhos; começa então na tela do próprio interior do homem a incursão na noite do inconsciente; as imagens, como no sonho, aparecem e desaparecem, dissolvem-se e escurecem; o tempo e o espaço tornam-se flexíveis, e retraem-se e dilatam-se à vontade; a ordem cronológica e os valores relativos à duração já não correspondem à realidade…”

“Meia-Noite em Paris” é bem isso. Podemos afirmar que Buñuel é o melhor representante do surrealismo na arte cinematográfica.

O diretor espanhol bebia e fumava muito. Deixou uma autobiografia intitulada “Meu Último Suspiro”.

Em 67, filmou “A Bela da Tarde”, sobre uma jovem burguesa (Catherine Deneuve), frígida com o marido e que se prostituía no período vespertino.

Eis o título de algumas obras suas: “O Discreto Charme da Burguesia”, “Tristana”, “Veridiana”, “Este Obscuro Objeto do Desejo”, “O Fantasma da Liberdade” – pequenos episódios surrealistas se sucedem à maneira de um sonho, e “O Anjo Exterminador”, que o filme de Woody Allen faz referência. Em certo momento, Gil sugere a Buñuel a temática daquela película. “O Anjo Exterminador” retrata vinte pessoas da alta sociedade, que depois de cearem em uma mansão, não conseguem mais sair de lá. A misteriosa prisão prossegue através dos dias; em meio à morte, doença, fome e sede, enquanto  moradores e hóspedes vão despindo suas convenções, tanto na aparência física quanto no comportamento.

 

ERNEST HEMINGWAY

 

Nasceu nos Estados Unidos em 1899. Nobel de Literatura em 54.

Em 52, publicou O VELHO E O MAR, considerado sua obra-prima, depois levado às telas, tendo Spencer Tracy no papel principal.

Escreveu, entre outros, “Ter ou Não Ter”, “O Sol Também se Levanta”, “Por Quem Os Sinos Dobram?” (Gary Cooper e Ingrid Bergman foram os atores principais do filme) e “Adeus Às Armas” (a primeira versão foi com Rock Hudson),”Paris é uma Festa”, “As Neves de Kilimandjaro”.

Viveu algum tempo em Cuba e também na Espanha. Sempre ia à África caçar. Seu pai foi suicida. Sua mãe era muito autoritária. Em certa ocasião, ela mandou-lhe de presente, pelo correio, a arma que o pai usara para se matar. Hemingway pensou: O que será que ela quis dizer com isso? É para eu usá-la? É para guardá-la de lembrança? Ele sempre levou uma vida muito boêmia e foi casado quatro vezes. Duas netas suas viraram atrizes. Hemingway se matou com um rifle em 1961.

O tema suicídio já aparecia com muita frequência em seus escritos, cartas e conversas.

Prestem atenção nos diálogos que Woody Allen bolou para ele no filme. São muito interessantes! Bem como o são os de Dali, Buñuel, Gertrud Stein, aliás, todos eles.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Percebo que estou envelhecendo 3

Hoje recebi mais uma dica de que estou ficando velho.

Recebi uma carta oficial do Conselho Regional de Psicologia.

Isso é raro e só acontece em ocasiões especiais.

Um dos Conselheiros me informa que a partir deste ano eu não precisarei mais pagar a anuidade do CRP, como o fazem todos os psicólogos. È uma resolução antiga, que dispensa pessoas com mais de 65 anos de pagar a anuidade.

Li a carta com uma confusão emocional danada. Pensamentos positivos ( a maioria) e alguns negativos.

O meu CRP é um dos primeiros do estado : 06/0000050. Isso mesmo. Foi o de número cincoenta no estado. Muita gente acha que está errado mas é isso mesmo. Sou das primeiras turmas. Já há quase quatro décadas eu recolho anualmente o valor da contribuição.

Uma pequena economia que, felizmente, não alterará nada a minha vida mas o sentido geral desta dispensa é o que importa. Então…………..completo 65 anos de idade neste ano. Para a maioria das entidades da sociedade, eu já estaria aposentado e sem atividades.

Um reconhecimento pelas décadas de trabalho. Um sinal de que está na hora de diminuir o ritmo de trabalho.Uma espécie de condecoração.

Tudo isso junto provoca prazer, susto e chama a atençao para o fato de que todos os esquemas relacionados a idade na nossa sociedade insistem em que eu pare de trabalhar.

Agradeço e aceito com muita alegria esta alteração que, na realidade, trata-se de um reconhecimento pelos anos de luta em prol da profissão.

Esta carta, na realidade, aumentou a minha vontade de fazer uma gostosa festa para comemorar os meus 65 anos de vida. Agora na condição de psicólogo vitalício.

Ôba.

Aguinaldo Neri

 

 

 

 

 

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Senado paga 17 vezes mais do que a média do mercado.

Remuneração paga pelo Senado supera a média de mercado em todas categorias

Gustavo Henrique Braga

Correio de Brasília

A uma semana das provas objetivas do concurso do Senado, um dos mais aguardados do ano, os 157,9 mil candidatos inscritos correm contra o tempo para assimilar os conteúdos. A dedicação não é sem motivo: além da estabilidade no emprego, os salários, de até R$ 23,8 mil, superam, em muito, a média de mercado para postos equivalentes. No caso de um técnico na área de indústria gráfica, por exemplo, o rendimento que será pago pela Casa legislativa, de R$ 13,8 mil, representa 17,2 vezes (ou 1.725% mais) a remuneração média, de R$ 800, recebida por quem executa a mesma atividade no mercado privado de trabalho.

A aprovação, contudo, não será moleza para ninguém: são oferecidos 246 postos, ou seja, um para cada 642 concorrentes. A depender do cargo, a disputa é ainda mais acirrada, como o de jornalista — 1.124 inscritos para uma oportunidade — e de analista em enfermagem, que tem 1.057 candidatos por vaga, isso sem considerar que uma delas é reservada para portadores de deficiência. Nada disso desanima os candidatos na busca pela estabilidade do funcionalismo e dos altíssimos salários para os dois postos: R$ 18,4 mil. No mercado, os jornalistas ganham a partir de R$ 1,8 mil e os enfermeiros, R$ 2,5 mil.

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Enquete

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Um dia, todas as aposentadorias do setor privado serão iguais ao salário mínimo.

Este deve ser um sonho dos atuais governantes.
Vejam o que esta acontecendo com uma senhora que conheço.
A sua aposentadoria sobe 6% mas o salário da empregada sobre 12%.
A cada dia que passa, ela tem mais dificuldades em cobrir as suas despesas.
Ela se aposentou com a promessa dos dez salários mínimos.
Hoje………..coitada.

A quem procurar ?
Será que temos algum político interessado nisso?
Já estou cansado de ver mentiras sobre déficits e dificuldades para dar aumentos para os aposentados da iniciativa privada.
O fato é que este grupo de brasileiros é tratado como cidadãos de segunda categoria.
Melhorar esta situação vai depender do voto desta imensa legião de brasileiros.
Em quem eles poderão votar?
O que v. acha?
Tens alguma sugestão?
Por favor, não vamos continuar votando em pessoas que falam, falam, falam mas, na hora H…………………votam no que o governo manda.

Se algum matemático ler este artigo poderá nos dizer : em quantos anos as aposentadorias terão o mesmo valor, a continuar esta política de aumentos para os aposentados ?

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Percebo que começo a envelhecer 2

Fiquei dois meses , quase, sem poder escrever aqui no blog.
No dia 02 de janeiro, passado, quebrei o braço direito.
Dois meses pensando e sentindo que alguma coisa está mudando.
Caí muitas vezes na vida. Sempre dei um jeito de cair bem e não machucar muito.
Desta vez, não deu.
O que será que mudou?
Minha agilidade?
Cai do chão para o chão.
Mas……vou reagir no plano físico. Alguma coisa deixou de ser feita. Preciso retomar exercícios.
O cérebro continua a mil por hora. O corpo baixou para os oitenta por hora, mais ou menos. Preciso reagir.

Aguinaldo

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Avós por perto, vantagens para o desenvolvimento infantil.


Avós presentes contribuem para a evolução da espécie, diz estudo
Jornal do BrasilOs seres humanos são praticamente a única espécie animal a contar com avós envolvidos na vida dos netos. Uma pesquisa de suíços e australianos, que analisou estudos anteriores de todo o mundo para definir o papel dos avós, destaca como fundamental o papel dos avós no início da vida. O estudo foi publicado na mais recente edição do Psychological Science, publicação da APS, Association for Psychological Science.

Segundo um dos autores da pesquisa, David Coall, da Universidade Edith Cowan, os avós têm um papel muito relevante na história da vida humana, que só é compartilhado com uma ou duas outras espécies, tais como algumas baleias.
“Os avós, nas sociedades industrializadas, investem uma quantidade significativa de tempo e dinheiro em seus netos”, diz o pesquisador. E cuidar dos netos enquanto os pais estão no trabalho, fornecendo recursos financeiros e apoio emocional, são apenas algumas das muitas maneiras pelas quais os avós expressam seu amor pelos netos.

Depois de examinar diversas evidências das tradicionais sociedades humanas, os pesquisadores chegaram à conclusão de que a presença dos avós pode aumentar substancialmente as chances de uma criança sobreviver durante a infância.

Seu apoio prático e financeiro ajuda a manter os jovens em forma e saudáveis, enquanto seu amor e capacidade de escuta ajudam crianças e adolescentes a passarem por períodos difíceis, como o divórcio de seus pais.

Vários estudos têm relacionado avós com a sobrevivência da espécie. Por exemplo, uma análise dos registros da Finlândia revelou que crianças, cujos avós ainda eram relativamente jovens, quando eles nasceram, apresentavam uma probabilidade de viver mais tempo do que crianças com avós mais idosos. E neste processo, os avós maternos são particularmente importantes. Eles produzem o segundo nível mais alto de cuidados das crianças, seguido pelos avós paternos.

Ainda segundo os pesquisadores, os avós também se beneficiam muito da convivência com os netos, pois os avós que tomam conta de seus netos apresentam uma maior probabilidade de manterem-se fisicamente ativos, nos anos seguintes.
O papel dos avós na família
A importância da mutualidade da relação entre avós e netos foi reconhecida sobretudo durante a década de 80 e, desde então, o interesse sobre a avosidade cresceu consideravelmente. Dentre os fatores que contribuíram para esta situação, está o aumento na expectativa de vida, o que tem levado a maior tempo de permanência dos indivíduos na função de avós.

O século XXI será o século dos avós. Entre os americanos, cerca de 50% tornam-se avós entre 49 e 53 anos, passando de 30 a 40 anos exercendo este papel. Na França, cerca de 80% das avós têm mais de 65 anos e 50% delas tornar-se-ão bisavós, enquanto em torno de 20% das mulheres com mais de 80 anos já são tataravós.

Na Inglaterra, quase metade da população tem netos, sendo que 25% do grupo são os principais cuidadores dessas crianças, passando, em média, seis horas por semana substituindo os pais.
No Brasil, quanto mais elevado o número de filhos, maior é a chance de a mulher acima de 60 anos ter filhos e netos residindo em sua casa. “Por aqui, segundo dados do IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os avós são cada vez mais responsáveis por cuidar dos netos, uma vez que os pais precisam se dedicar ao trabalho para manter a renda familiar”, afirma a médica Renata Diniz, que dirige a VRMedCare, empresa especializada em cuidados domiciliares na terceira idade.
De acordo com dados dos Indicadores Sociais Municipais do Censo Demográfico 2010, na distribuição das pessoas residentes, destaca-se a importância dos netos (4,7%) um contingente mais expressivo que o de outros parentes ou conviventes, revelando a existência de uma convivência intergeracional no interior das unidades domésticas brasileiras.
Importância dos netos para os avós
“Estar perto de filhos ou netos têm efeitos extremamente positivos – tanto emocional quanto fisicamente – sobre a saúde dos pais idosos. Netos que rotineiramente vivem em torno de seus avós idosos irão notar mudanças em sua saúde com mais facilidade, incentivando-os a procurar um médico mais cedo”, afirma a médica Vanessa Morais, que também dirige a VRMedCare, empresa especializada em cuidados domiciliares na terceira idade.
“Se a família e os entes queridos estão por perto criam uma rede de apoio favorável à permanência do idoso em casa, mesmo quando este está enfermo. Na ausência de familiares, o mais freqüente é a internação hospitalar, geralmente, de longa duração”,diz Vanessa Morais.

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Assunto importante demais para não ser acompanhado por todos os brasileiros.


Fundo de Previdência do Servidor poderá ser votado semana que vem
Governo negocia regra que preserve aposentadoria de mulheres, professores e policiais federais
Cristiane Jungblut

Publicado:
29/11/11 – 16h19 O Globo.

Envios por mail: 0 BRASÍLIA – O governo quer votar na semana que vem o projeto que cria os fundos previdência complementar dos servidores públicos da União. Os líderes da base aliada e representantes dos Ministérios da Fazenda e da Previdência se reuniram, no início da tarde, para chegar a um texto consensual. O secretário-executivo do Ministério da Previdência, Carlos Gabas, confirmou que está em discussão uma forma de garantir que as mulheres e os servidores que têm as chamadas aposentadorias especiais, como professores. Essa reivindicação foi feita principalmente pelo PT. A proposta é, dentro do fundo de previdência complementar, criar um fundo especial para bancar essas aposentadorias. O problema é que, pelo novo modelo, as mulheres teriam perda no valor do benefício, pois se aposentam cinco anos antes do que os servidores. Os parlamentares pressionam o governo para elevar o aporte da União, com uma alíquota de 8% a 8,5% e não os 7,5% propostos no projeto original.

O argumento, segundo técnicos que participam das discussões, é que as mulheres se aposentam depois de 30 anos de contribuição e não com 35 anos, como os homens, e com uma alíquota de 15% ao mês (7,5% para União e 7,5% para a servidora) não teria, ao final, um valor de benefício semelhante ao atual, como é o objetivo do Fundo. Caso semelhante seria dos professores, com 25 anos de contribuição. Mas o governo tem sido contra, até porque isso seria uma diferenciação e a ideia é ter uma alíquota padrão como teto para a União. Essas aposentadorias especiais incluiriam ainda os policiais federais.

- A maior preocupação é com a questão das mulheres. Elas contribuem, mas se aposentam cinco anos antes. É um fundo de capitalização, mas elas perderiam de 35% a 37% no benefício, porque teriam cinco anos a menos na capitalização – admitiu Gabas, que participou de almoço com a base aliada.

Mas já há acordo para outro tipo de fundo: o chamado fundo de sobrevivência. Seria destinar um pequeno percentual da contribuição para uma reserva especial: para os casos em que aposentado viva mais anos do que o tempo médio estipulado e período pelo qual contribuirão. O tempo médio estipulado é de 25 anos para a duração dos benefícios, e, se houver necessidade de um benefício por mais anos, o chamado “subfundo” ou “fundo mutuário” custearia esse gasto. Da alíquota de 7,5%, 0,42% seriam destinados a esse fim, sendo 0,21% de cada uma das partes. Segundo técnicos da Previdência, a ideia é criar um fundo mutuário para garantir o pagamento por tempo indeterminado, evitando a palavra vitalício.

Fazenda é contra fundo especial

O Ministério da Fazenda é contra criar o fundo para a questão das mulheres e aposentadorias. Por isso, será realizada, às 18h, nova reunião. O encontro será no Ministério da Fazenda.

Depois do almoço, o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse que a proposta deve ser votada no dia 07. E acredita que a União deverá concordar com um aporte maior.

- O governo evoluiu bem, e vamos chegar a um meio-termo (sobre a alíquota da União) – disse Vaccarezza.

A área econômica disse que é contra a alíquota máxima de adesão de 7,5% para a União nos fundos de previdência complementar dos servidores públicos dentro do projeto em discussão na Câmara, mas desde sexta-feira técnicos da própria Fazenda e da Previdência fazem cálculos e simulações sobre

O PT quer que a União elevasse, de forma geral, o aporte de recursos, ampliando a alíquota para 8,5%.

O Fundo prevê uma aposentadoria segura durante 25 anos, mas para casos em que a pessoa viva mais será criado um fundo mutualista (geral) para bancar esses casos. Da os 15% mensais (7,5% da União e 7,5% do servidores – sendo que esse pode contribuir mais, se quiser), 0,42% iria para a esse fundo geral.

O atual regime de Previdência dos servidores é deficitário e o rombo para 2011 está projetado em R$ 57 bilhões. Hoje, são cerca de 950 mil aposentados para 1,1 milhão de servidores ativos. Para o sistema não ser deficitário, a proporção ideal era de quatro servidores ativos (que contribuem com alíquota de 11%) para cada aposentado.

Fundo é para novos servidores

O governo calcula que haverá um boom de aposentadorias em cerca de cinco anos, porque cerca de 40% da atual força terá condições de se aposentar. Por isso, a União terá um aumento significativo de despesas nos primeiros anos do novo modelo. Além de pagar pelas aposentadorias feitas no antigo regime, terá que bancar sua participação no novo modelo. As novas regras valerão para o futuro, apenas para os novos servidores.

A previsão é que a curva do déficit só comece a descer em 12 anos, quando os novos servidores. Por isso, técnicos apontam que os efeitos positivos virão em 20 ou 30 anos. Na semana passada, em audiência na Câmara, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou a falar em até 40 anos.

Para o governo, além da inovação no modelo previdenciário do servidor público, a criação dos fundos de previdência complementar para servidores do Executivo, Judiciário e Legislativo servirão para aumentar a poupança pública do país. Juntos, os três fundos seriam maior que o Previ (do Banco do Brasil) – o maior do país, com carteira de R$ 150 bilhões.

O novo modelo prevê que o servidor continuará contribuindo com uma alíquota de 11% até o teto do INSS, que hoje é de R$ 3,6 mil, com participação de 22% de alíquota da União. Para valor acima do teto, ele poderá aderir ao fundo complementar com uma alíquota de adesão de 7,5%, a mesma da União.
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Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/fundo-de-previdencia-do-servidor-podera-ser-votado-semana-que-vem-3348063#ixzz1f7hmbAvX

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Trabalho independente na maturidade – artigo da Folha de São Paulo

22/11/2011 – 07h05
Mais velhos largam vaga por projetos
CAMILA MENDONÇA
DE SÃO PAULO

Depois de 30 anos em grandes empresas no Brasil e no exterior, Germano Badi, 63, foi demitido. Ficou dois anos fora do mercado e decidiu: melhor seria ficar sem vínculo empregatício duradouro em qualquer companhia.

A alternativa adotada por ele -e por diversos profissionais seniores- foi tornar-se temporário. “Não gostaria de voltar a ser dependente de uma única empresa”, afirma.

Como ele, trabalhadores com mais de 50 anos encontram espaço no mercado para atuar por projetos (leia mais no quadro abaixo).

Aproveitar a “expertise” do profissional sênior, mas não desembolsar tanto para isso, é uma das justificativas para a abertura de mercado para esse público, diz Maria Cecília de Arruda, professora da Fundação Getulio Vargas.

Daniel Marenco/Folhapress

Germano Julio Badi trabalhou quase 30 anos em multinacionais pelo mundo, foi demitido e hoje atua como temporario

As empresas, completa a especialista, não conseguiriam pagar o que ele vale.

Badi, por exemplo, que consegue até cinco projetos ao ano em micro e pequenas empresas, tem remuneração um terço menor se comparada à do período em que atuou como executivo da área financeira -ele não revela valores.

Há outro fator para a grande demanda pelos mais velhos. As empresas continuam com dificuldade de encontrar pessoas que reúnam técnica e experiência, indica Aloísio Buoro, professor do Insper.

“É comum a recontratação do quadro de aposentados [da companhia]“, considera.

Essa “tendência”, completa Claudio Dedecca, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), também é impulsionada pela “especialização do mercado”, que cada vez mais “segmenta e terceiriza projetos”.

CICLO CONTÍNUO
A dificuldade de recolocar-se após os 50, a expectativa de ter uma rotina menos puxada e a certeza de que é cedo para parar explicam a entrada dos seniores no mercado de temporários, diz Marcus Gaspar, diretor de RH da consultoria Personal Service.

Há cinco anos, Gessé Camargo, 65, deixou de lado a carreira como executivo na área de “facilities” (suporte) em busca de “mais conforto”.

“Em uma organização, você está em uma trilha, sem ter margem de manobra”, frisa.

A mudança, diz, foi “natural”, pois, Badi recebia convites para fazer projetos mesmo trabalhando. “Isso me deixou mais seguro.”

PRÓS E CONTRAS
VANTAGENS
- Desenvolver projetos que não faria na empresa
- Escolher o que quer fazer
- Lidar com políticas corporativas diferentes
- Cuidar da própria agenda
- Ampliar a rede de contatos
- Precificar o trabalho

DESVANTAGENS
- Receber menos
- Demorar para conseguir os primeiros clientes
- Investir tempo e recursos para atualizar-se
- Aprender técnicas para apresentar-se e vender-se

COMO SER TEMPORÁRIO
- Avalie a necessidade que o mercado tem na sua área
- Divulgue o que sabe fazer para a rede de contatos
- Comece com pequenos projetos, para formar portfólio

+ CANAIS

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Sou velho, maduro, idoso ou o quê?

Ontem foi meu aniversário. 20 de novembro.
Fiz 64 anos.
Fiquei muito feliz por ver a minha familia unida e saudável.
Duas netas.
Muitos votos de felicidades e muitos anos de vida.
Alguns amigos falando do passado. Outros do futuro.
Alguns chamando minha atenção para minhas perdas. Outros desejando mais desafios.
Alguns me conhecem há mais de cincoenta anos. Outros há cincoenta dias.
Alguns valorizam minha velhice. Outros me consideram jovem. Outros, nenhuma das duas coisas.
Em meio a abraços e desejos, fiquei pensando sobre como as pessoas me vêm.
Felizmente, ninguém me disse que estou na terceira idade. Acho um termo esquisito.
O fato é que ninguém sabe como me chamar.
Estou no auge da minha competência.
Va lá que a bursite já não me deixa brincar com minhas netas como eu queria.
Va lá que o joelho já não é o mesmo. Os ortopedistas falam com todo o respeito : “gastou, professor”. “Vai ter que se conformar ou trocar”. Se eu fosse trocar tudo o que gastou, eu me transformaria num “cyborg”.
Mas…..a cabeça está ótima.
Vá lá que ela anda mais rápido do que o corpo mas…..vou me ajustando.

A minha conclusão é a de que a sociedade precisa encontrar outros nomes para rotular pessoas como eu : ativas e proativas, com uma idade para a qual a sociedade já não esperava isso.

Mas…..envelhecer bem é um desafio que procuro enfrentar, todos os dias.

abraços
Aguinaldo Neri

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